A chegada das chuvas transforma a realidade de grande parte das propriedades pecuárias brasileiras. O pasto responde, aumenta a disponibilidade de forragem e começa um período de grande potencial para ganho de peso e recuperação do desempenho dos animais.
Mas existe um outro lado dessa estação que não pode ser ignorado.
Calor, umidade, chuvas e condições ambientais favoráveis também podem favorecer o desenvolvimento e a dinâmica de diversos parasitas que afetam os bovinos.
Carrapatos, moscas, bernes e parasitas gastrintestinais não representam apenas um incômodo para o animal. Dependendo da intensidade da infestação, do sistema de criação, da região e da susceptibilidade do rebanho, podem comprometer bem-estar, consumo, ganho de peso, produção de leite e aumentar os gastos com tratamentos.
E existe um risco adicional que merece atenção especial: a Tristeza Parasitária Bovina (TPB).
Por isso, quando as primeiras chuvas chegam, o pecuarista não deveria olhar apenas para o crescimento do capim.
É hora de olhar também para o gado.
Por que o período das chuvas merece tanta atenção?
A dinâmica dos parasitas não é igual em todas as regiões do Brasil e não depende exclusivamente da chuva. Temperatura, umidade, volume e distribuição das precipitações, manejo, lotação, categoria animal e características da propriedade interferem diretamente nessa relação.
Ainda assim, há uma ligação importante entre condições climáticas e a população de vários parasitas.
A Embrapa destaca que temperatura e umidade influenciam a biologia do carrapato-dos-bovinos e utiliza justamente essas características climáticas como parte do planejamento do chamado controle estratégico. Em material direcionado à bovinocultura leiteira, a instituição recomenda atenção especial ao início da época chuvosa para o controle estratégico do carrapato.
Com a mosca-dos-chifres ocorre situação semelhante. Estudos da Embrapa mostram que os períodos de maiores infestações podem estar associados ao calor e às chuvas moderadas. No Pantanal, por exemplo, foram observados picos populacionais após o início e ao final do período chuvoso. Chuvas excessivas, por outro lado, podem reduzir a população da mosca uma demonstração de que a relação entre chuva e parasitismo não deve ser simplificada.
Portanto, o recado para o produtor é simples:
começou a chover, começou também um período em que o monitoramento sanitário precisa ser intensificado.
O problema que muitas vezes não aparece imediatamente na balança
Quando se fala em parasitas, é comum pensar apenas no animal visivelmente carregado de carrapatos ou cercado de moscas. Mas o prejuízo pode começar antes de a situação chegar a esse ponto.
O carrapato provoca espoliação sanguínea e pode estar relacionado a anemia, irritação, lesões na pele, redução de peso e de produção. Além disso, as lesões podem predispor os animais a miíases e infecções secundárias.
Moscas em altas infestações também causam estresse e desconforto. O animal incomodado passa mais tempo tentando se defender movimentando a cauda, a cabeça, agrupando-se ou buscando locais que reduzam o ataque e isso pode interferir no comportamento normal de alimentação e descanso.
Já os vermes gastrintestinais podem provocar perdas que nem sempre são imediatamente percebidas pelo produtor, principalmente em quadros subclínicos.
É justamente aí que mora um dos maiores perigos econômicos:
o animal pode continuar no pasto, mas produzir abaixo do seu potencial.
Em uma atividade na qual cada quilo produzido importa, pequenas perdas individuais multiplicadas por dezenas, centenas ou milhares de animais podem representar um impacto expressivo no resultado final da propriedade.
Quanto os parasitas podem custar para a pecuária?
Um importante estudo brasileiro publicado na Revista Brasileira de Parasitologia Veterinária, em 2014, fez uma reavaliação do impacto econômico potencial dos principais parasitas de bovinos no país.
Considerando animais em risco e dados produtivos disponíveis à época, os pesquisadores estimaram perdas potenciais anuais de aproximadamente:
US$ 7,11 bilhões relacionadas aos nematódeos gastrintestinais;
US$ 3,24 bilhões relacionadas ao carrapato-dos-bovinos;
US$ 2,56 bilhões relacionadas à mosca-dos-chifres;
US$ 383 milhões relacionadas ao berne;
além das perdas relacionadas à mosca-da-bicheira e à mosca-dos-estábulos.
Somadas, as perdas potenciais consideradas pelo estudo chegavam a aproximadamente US$ 13,96 bilhões por ano.
É importante interpretar corretamente esses números: trata-se de uma estimativa publicada em 2014, construída principalmente com dados produtivos e econômicos de anos anteriores. Portanto, não significa que a pecuária brasileira esteja perdendo atualmente, em 2026, exatamente esses valores.
O que o estudo demonstra de maneira muito clara é a dimensão econômica que o parasitismo pode alcançar quando não é adequadamente controlado.
E há outro dado interessante: em experimentos de campo citados pelo mesmo estudo, bovinos Nelore jovens submetidos a um programa estratégico de vermifugação apresentaram, em determinado contexto experimental, ganho de peso médio 41 kg superior ao grupo de comparação ao longo do período avaliado. Isso não significa que todo rebanho ganhará 41 kg a mais com um tratamento, mas evidencia como o parasitismo pode interferir no desempenho produtivo.
Carrapato: o problema vai muito além do que você enxerga sobre o animal
Entre os ectoparasitas da pecuária brasileira, o carrapato-dos-bovinos, Rhipicephalus microplus, merece atenção especial.
O prejuízo não está somente no sangue retirado do animal.
A infestação pode provocar irritação, lesões de pele, anemia, redução de desempenho e ainda aumentar despesas com mão de obra, medicamentos e manejo. O uso inadequado e repetitivo de carrapaticidas também contribui para outro problema sério: a seleção de populações resistentes.
Mas talvez uma das consequências mais preocupantes da presença do carrapato seja sua participação na transmissão de agentes responsáveis pela Tristeza Parasitária Bovina.
E aqui o assunto fica ainda mais sério.
Tristeza Parasitária Bovina: o produtor precisa conhecer esse risco
A chamada Tristeza Parasitária Bovina, ou simplesmente TPB, é um complexo de doenças que envolve principalmente a babesiose e a anaplasmose.
No Brasil, entre os agentes de maior importância estão Babesia bovis, Babesia bigemina e Anaplasma marginale. Os agentes da babesiose são transmitidos pelo carrapato-dos-bovinos, enquanto a transmissão de Anaplasma marginale também pode envolver insetos hematófagos e mecanismos relacionados ao sangue contaminado.
A TPB é considerada uma enfermidade de grande importância para a pecuária brasileira devido aos prejuízos associados à morbidade, mortalidade, redução da produção e gastos com tratamento.
Entre os sinais que podem ocorrer estão:
- febre;
- apatia e perda de apetite;
- anemia;
- fraqueza;
- redução rápida do desempenho;
- alterações de mucosas;
- e, em determinadas formas da doença, urina de coloração avermelhada ou escura.
Casos graves podem evoluir para a morte do animal. A Embrapa alerta ainda que a enfermidade pode aparecer na forma de surtos, atingindo vários animais e provocando prejuízos importantes ao rebanho.
Diante de suspeita de TPB, o diagnóstico e a definição do tratamento devem ser realizados com orientação de médico-veterinário. Nem todo animal abatido, anêmico ou com febre está necessariamente com tristeza parasitária.
Existe ainda um detalhe importante: simplesmente “zerar” o carrapato não resolve toda a questão
Pode parecer contraditório, mas o relacionamento entre bovino, carrapato e os agentes da TPB é complexo.
Materiais técnicos da Embrapa ressaltam que o controle precisa ser planejado. Em determinadas condições epidemiológicas, a eliminação indiscriminada do contato com o vetor pode alterar a dinâmica de exposição e imunidade do rebanho. Por isso, o objetivo sanitário não deve ser simplesmente aplicar produtos aleatoriamente toda vez que aparece um carrapato.
A estratégia precisa considerar região, época do ano, nível de infestação, resistência dos parasitas, categoria dos animais e histórico sanitário da propriedade.
Controle eficiente não significa tratar mais. Significa tratar de maneira estratégica.
Mosca-dos-chifres: pequena no tamanho, grande no prejuízo
Outro inimigo conhecido do pecuarista é a mosca-dos-chifres (Haematobia irritans).
Sua presença pode ser observada praticamente durante todo o ano em algumas regiões, mas condições de temperatura e precipitação influenciam fortemente sua população.
Em estudo conduzido em Rondônia, por exemplo, as maiores infestações foram observadas em períodos associados ao início e ao final das chuvas. No Pantanal também foram registrados dois picos populacionais anuais relacionados ao período chuvoso.
O problema não é apenas a presença da mosca.
Quando a infestação aumenta, aumenta também o incômodo provocado ao animal. Isso significa mais estresse e alteração de comportamento, justamente quando o pecuarista deseja aproveitar a melhora das pastagens para transformar capim em arrobas.
O estudo econômico nacional publicado em 2014 estimou em aproximadamente US$ 2,56 bilhões anuais as perdas potenciais associadas à mosca-dos-chifres, considerando a população bovina em risco e os parâmetros produtivos disponíveis naquele período.
Verminose: o inimigo que muitas vezes trabalha escondido
Se carrapatos, moscas e bernes podem ser visualizados, os parasitas internos apresentam um desafio diferente.
Muitas vezes o produtor percebe primeiro a consequência e não a causa.
Dependendo da espécie de parasito, carga parasitária, idade, imunidade, nutrição e condições ambientais, as verminoses podem estar relacionadas à redução de desempenho, alterações digestivas, anemia, pior conversão dos nutrientes e menor ganho de peso.
Animais jovens geralmente merecem atenção especial.
E os dados econômicos ajudam a mostrar o tamanho potencial desse problema: no estudo brasileiro citado anteriormente, os nematódeos gastrintestinais representaram a maior parcela das perdas potenciais estimadas entre os parasitas analisados cerca de US$ 7,11 bilhões por ano, nos valores e condições considerados pelos pesquisadores.
Por isso, vermifugação não deveria ser sinônimo de simplesmente “dar vermífugo de tempos em tempos”.
O programa precisa ser estratégico e adequado à realidade da propriedade, reduzindo perdas e, ao mesmo tempo, evitando o uso indiscriminado de princípios ativos, que favorece resistência parasitária.
Berne: além da aparência, existe perda econômica
O berne, causado pela larva de Dermatobia hominis, também está entre os ectoparasitas economicamente relevantes dos bovinos no Brasil.
As lesões provocadas pelas larvas prejudicam o bem-estar do animal, podem favorecer complicações e ainda comprometem a qualidade do couro.
Na reavaliação econômica publicada em 2014, as perdas potenciais relacionadas ao berne foram estimadas em aproximadamente US$ 383 milhões anuais, considerando os parâmetros utilizados no estudo.
Ou seja: parasita não é apenas problema sanitário. É problema produtivo e econômico.
O grande erro: esperar a infestação explodir para começar a agir
Em muitas propriedades, o controle começa quando o problema já está evidente.
O produtor vê muitos carrapatos e trata.
Vê muitas moscas e trata.
Encontra animais com berne e trata.
Percebe queda de desempenho e só então pensa em verminose.
Esse modelo é essencialmente reativo.
A abordagem mais racional é trabalhar com monitoramento e controle estratégico, levando em consideração o ciclo dos parasitas e as condições da propriedade.
Isso inclui observar regularmente os animais, acompanhar o nível de infestação, identificar os períodos de maior desafio parasitário, avaliar a eficácia dos tratamentos utilizados e buscar orientação técnica quando necessário.
Também é fundamental respeitar rigorosamente dose, indicação, período de carência e demais orientações dos produtos veterinários empregados.
O desafio não é somente combater o parasita que está no animal. É interferir no ciclo.
Esse é um ponto que todo pecuarista precisa entender.
Grande parte do desafio parasitário não está limitada àquilo que enxergamos naquele momento sobre o bovino.
Existe um ciclo biológico acontecendo.
No caso do carrapato, por exemplo, parte importante desse ciclo ocorre no ambiente. Uma fêmea ingurgitada desprende-se do animal, vai para o solo e inicia a fase de postura. Posteriormente, as larvas procuram novos hospedeiros e o processo continua.
Com moscas, vermes e outros parasitas, cada espécie possui seu próprio ciclo e particularidades.
Por isso, um programa sanitário eficiente precisa pensar além do “parasita que estou vendo hoje”.
É preciso pensar no próximo ciclo.
É justamente aqui que entra a estratégia MC Fly
O MC Fly foi desenvolvido para fazer parte de um programa estratégico de controle parasitário do rebanho, atuando de acordo com sua formulação e indicações de uso sobre importantes desafios parasitários da pecuária.
A proposta é sair de uma lógica exclusivamente reativa esperar o problema aparecer para correr atrás do prejuízo e trabalhar o controle de forma contínua e estratégica, buscando interromper o desenvolvimento e a perpetuação dos ciclos parasitários contemplados pela formulação.
Dentro das indicações constantes no rótulo e registro do produto, o MC Fly integra o manejo contra desafios como moscas, carrapatos, vermes e bernes, facilitando a inclusão do controle parasitário na rotina da propriedade.
E isso ganha ainda mais importância justamente agora.
Chegaram as chuvas. O pasto começa a responder. O gado tem condições de produzir mais.
Não faz sentido investir em genética, pastagem, suplementação mineral, adubação e nutrição e permitir que parasitas retirem parte desse resultado silenciosamente.
A época das águas pode ser uma das maiores oportunidades produtivas do ano.
Mas produtividade não depende apenas de colocar alimento na frente do animal.
Depende também de manter o rebanho saudável para transformar esse alimento em carne e leite.

Não espere o parasita virar prejuízo para começar a agir.
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MC FLY
Controle o ciclo. Proteja o rebanho. Preserve o resultado da sua produção.
As estratégias de controle parasitário devem considerar as condições epidemiológicas e sanitárias de cada propriedade. Utilize produtos veterinários conforme suas indicações oficiais, respeitando dose, modo de uso, contraindicações e períodos de carência. Casos suspeitos de Tristeza Parasitária Bovina e outras enfermidades devem ser avaliados por médico-veterinário.






